segunda-feira, 18 de julho de 2011

Em segredo

Às vezes eu sinto que segui um caminho que é bifurcação do caminho espaçoso que os outros ao meu redor seguiram, encontrei com eles após décadas de andanças entre as pedras de algum lugar que eu esqueci o nome. Paramos no mesmo ponto, mas tenho medo de dizer que pra mim foi tudo diferente, eu temo as conclusões equivocadas, minha falta de boa vontade e paciência de explicar o contrário. Então, estou aqui, escondida atrás de uma poltrona que fala e apresenta-se com o nome de preguiça e serve de assento, todos os dias, a um gordo que parece muito mais um lutador de sumô. Eu não vou com a cara dele. A poltrona preta falante que se diz ser a preguiça me revelou que ele se alimenta de tudo que eu tenho medo, e que ele me conhece.
   Todos os dias eu me levanto olhando para os lados, receosa que tenham visto meu esconderijo. Visto minha roupa e cumpro todo o ritual humano antes de ir para faculdade e agir como se estivesse tudo normal. Olho para eles e até converso, às vezes solto uma piadinha, às vezes fico feito bicho acuado e detenho-me a responder alguma pergunta.
   Quando chego em casa e fecho a porta do apartamento, já quase esquecida de que ele me seguia em passos lentos, quase como um bote, ao levantar os olhos para a sala, o lutador de sumô me pergunta quase sorrindo:
   - Por que demorou?
   -Sem resposta...
   Mas outro dia, sonhei que isso foi só um pesadelo, que eu entendo o que está acontecendo, que isso é resultado dessa minha introspecção viajante, dessa imaginação que me dá asas, embora nem sempre me leve para os melhores lugares ( Juro que ando procurando uma agência nova).
   Hoje escondi tudo rapidinho, duas colegas vieram estudar aqui, estávamos tentando nos livrar da caveira com pêlos saindo pelas narinas que assusta os estudantes de anatomia II, acabei relaxando nos intervalos e fui tratada quase como um extraterrestre.
   -Arrhan! Traga umas batatas com chocolate, disse o lutador de sumô se aconchegando naquela poltrona preta que eu escondi dentro do armário.
   -Acho que eu preciso fazer uma faxina, jogar umas coisas fora, pensei...
   Tenho a sensação que algo vai explodir em breve, escondo materiais inflamáveis na cozinha e tento encontrar o pavio. Mas... Enquanto estou aqui, viva e cheia de interrogações, mesmo com um gordo folgado me seguindo, um velho sacana chamado tempo com sua sabedoria quase irritante, uma magrela mesquinha e fria que insiste em brincar de esconde-esconde e atende por solidão na minha cola, mesmo assim, e enquanto isso, vou vivendo, arriscando todos os dias, tentando ser o mais normal possível.

Mas guardem segredo...

domingo, 17 de julho de 2011

Segunda-Feira

  “Para mim segunda-feira é dia de recomeçar, mesmo que soe mais como continuidade, principalmente quando estamos agindo quase mecanicamente e é preciso terminar algo. Mas a segunda é o dia depois do intervalo, depois de respirar fundo e rever o que já foi feito, hora propícia a fazer diferente... E eu desejo mesmo que a vida seja assim, repleta de recomeços, cheia de segundas-feiras para que não tenhamos medo de se arriscar, de se jogar, de cair, de apostar em coisas novas e em um futuro diferente do que parece estar traçado”
   Aos 12 anos o maior desejo é que o tempo passe... Passe e traga com ele a realização da mocidade já anunciada, especialmente para as meninas, queremos nos parecer mais mulheres, queremos ser vistas como tais. E já está tudo programado, o espelho está de prova, deixamos o cabelo crescer, nos enchemos de curvas, desejamos os saltos e o vermelho nas unhas. Ah, e o amor, aspiramos viver uma história de amor... E tentamos, sim.
   Quando o motor atinge uma potência em torno de 2.0, continuamos querendo que o tempo passe, mas agora o objetivo de quem não é a exceção é esperar que o tempo, aquele senhor de chapéu marrom e cabeça baixa sentado na esquina observando tudo e todos, amenize as marcas das decepções e dos desencontros. É sempre uma questão de tempo. Esse senhor tão igual e tão diferente... Só com ele somos capazes de nos reconstruirmos do que tirou nossas certezas, por isso, seja paciente nas pequenas evoluções, para cada dia, uma pequena vitória. O importante é seguir em frente, não é preciso ter certeza de onde vai dar a estrada, mas é sempre preciso ter ousadia para tentar mais uma vez e ‘continuar, continuar’ acreditando na vida.
  Desculpe se em nada você acredita, mas não poderia omitir aqui a minha fé! A raiz de todos os meus erros está nas vezes que eu impedi que Deus fosse Deus. Hoje ele está em primeiro lugar, por isso, o mundo pode desabar, eu vou continuar de pé, porque minha emoção está sendo construída sobre uma rocha que não vacila. Meu bom velho e eterno Deus.

Eu gosto de pensar em Deus como um homem muito grande, com ar de poderoso e sábio ( eu sei que ele é tudo isso, mas eu o imagino), com sua longa barba branca e grandes mãos, eu posso descansar em um pequeno espaço da sua palma, as vezes olho pro céu e imagino ele lá em cima olhando pra mim aqui embaixo, as vezes sério, as vezes sorrindo, mas sempre com aquele olhar que diz: “ vai garotinha boba!  Tenta! Pode ir! Vai! Eu estou aqui!”. Então eu vou...


sábado, 16 de julho de 2011

Verdades

   Entre infindáveis peças que influenciam e compõem... Sou alguém que ainda acredita no amor... É, o amor, mas não o amor de 3 dias que se afundam por ai em copos de bebidas destiladas, isso não é nem primo do velho amor.
   Está todo mundo querendo passar a imagem desbotada de badalação, da vida de bilhões de amigos e nada “sério”... Eu acho que o grande medo é que descubram as marcas por trás das máscaras. Eu acredito mesmo é que a maioria não sabe que apelidam “profundo” de “sério” por ai... O que pra mim não é tão apropriado, acho que sério combina com imóvel. Profundo não, profundo combina com emoção. Alguém falou em coisa séria? Corre por favor! São vários copos de bebidas, jogos de sedução, dar a corda, tirá-la, sorrisos ensaiados, atitudes premeditadas, beijos sem alma, eu prefiro pagar o preço de ser diferente da massa... Pois no final da terça-feira, quando se sente aquele gosto amargo na boca, é a solidão, aquela magrela sombria, que você vive fingindo que não existe, porque no fundo ninguém te conhece! Sim, no final de tanta badalação, o que resta? O que você fez do seu tempo e o que plantou na emoção das pessoas? O que você escuta agora? cri, cri, cri... Não tem nada ai dentro, cara!
   Então, se acreditar no amor, na amizade, em fidelidade, gostar de boas músicas, livros, café e um papo legal é brega... Muito prazer! Eu sou brega! =)
   Acontece que grandes emoções não são para sucatas, são coisas dignas de pessoas corajosas que arriscam tirar as máscaras, expor a pele fina e abrir o peito! E as máscaras, bom, uma hora elas caem!