domingo, 3 de novembro de 2013

"When i was your woman"




  Ela sempre se sentiu um pouco sozinha, um pouco diferente... Com o tempo aprendeu a viver no seu ritmo e a extrair o melhor que poderia, tinha um sonho que era sonhado a dois, mas ele foi abandonado por ela e pelo seu herói de infância, que se tornara seu  algoz.

  Durante muito tempo ela sentiu a vida sobre suas rédeas, apesar das inconstâncias de sempre, daquelas mudanças sempre repentinas daqueles que ela tanto amava, ela sabia sair rápido do campo de visão do monstro verde da tristeza. Ela tinha Deus, tinha um sonho, era só ela que girava o timão do seu barco em direção ao que ela queria. Mas o sonho se despedaçou, Deus tentava ressuscitar outro sonho, foi difícil aceita-lo, depois se tornou bom e trouxe muitas surpresas boas.

  Hoje, aquele que foi seu herói, agora seu algoz, era sentido por ela como uma sombra, um vento contrário à direção que ela empenhava ao timão do seu barco, tudo ficava meio cinza. Com uma força súbita, ela vencia o vento contrário, se  erguia, continuava. Mas parece que a luta incansável  de sonhos,heróis, amor de família, aquela que era como uma turbina que acionava sua força, essa luta desde quando seus músculos ainda eram fracos até hoje, parece que deixou sua cabeça fadigada. Ela acoplou em seu peito uma turbina acessória, que a vida lhe mostrou em sonhos, como uma espécie de solução, como a resposta para sua solidão, um soldado fiel, para ficar ao seu lado e lutar contra todo fantasma, medo, ajudar a ser feliz, no começo hesitou muito, mas novamente o velho tempo a fez perceber como era boa essa nova forma de impulsionar seus sonhos, sua vida. Então, ela apaixonou-se por esse motor que estava aparelhado ao seu peito. 

  De repente, alguma coisa de errado na instalação surgiu, interferências, a ligação feita no seu peito parece ter se desgastado durante a viagem, o soldado que a vida trouxe para ficar ao seu lado parece dá sinais pequenos de querer deixar o barco, ele parece ter criado planos distintos, parece sonhar em entrar em outro barco e tomar a frente de um timão que não era aquele que Ela conhecia.
Ela tenta reanimar a acoplagem feita em seu peito, já verificou os laços que os uniam, já tentou pilotar como quando o soldado a conheceu... Quem sabe tudo não voltava a ser como antes? Mas nada parece dá certo. Ele ainda está aqui, mas ela não sente, ele ainda não saiu do seu barco, mas é como se já estivesse longe, talvez olhando para um novo horizonte...

“ Eu não sei porque te sinto tão longe de mim, eu tento vasculhar o meu baú procurando as ferramentas pra te trazer de volta, pra sentir aquele amor caloroso que eu sentia tão presente, com tantas palavras de amor, cartas já não adiantam mais, o silêncio é a minha resposta. Talvez o problema sejam meus olhos que não conseguem mais ver, meu coração talvez esteja um pouco cansado, com um sinal fraco que não consiga detectar uma sinalização comum, talvez o problema seja eu não ter te preservado mais, eu ter te misturado tanto ao que sinto... Mas se eu estou percebendo certo, se os sinais vermelhos de alerta estão alarmados corretamente, é melhor que eu pergunte de vez, soldado:

-Você está mesmo me deixando?”
- ...

-Por que você não é mais o mesmo? Porque eu te sinto distante e minhas respostas são vagas ou simplesmente você não responde?

-...

-Talvez você ainda não queira falar, queira continuar nessa posição psicanalítica, mas eu só queria te dizer, que isso está me matando por dentro, porque eu aprendi a te amar de uma forma tão louca e tão profunda, que não sei arrancar os fios, laços e parafusos que me ligam a você, mas se você quer ir, eu vou te arrancar daqui, mesmo sabendo que você vai levar alguns pedaços, que ao redor tudo vai sangrar. Meu velho amigo tempo já me disse que um dia tudo sara, que onde havia dor e sangue ficará apenas uma cicatriz, que numa manhã de domingo, quando o vento voltar a soprar doce e eu olhar desapercebida para cicatriz deixada vou lembrar apenas que eu amei com todas as forças que haviam em meu pequeno ser. "



Quando eu era o seu homem
A mesma cama, mas parece um pouco maior agora
Nossa canção no rádio, mas ela não soa como antes
Quando nossos amigos falam sobre você
Tudo o que isso faz é me arruinar
Porque meu coração se parte um pouco
Quando ouço o seu nome
E tudo soa como uh, uh, uh, uh, uh

Jovem demais, tolo demais para perceber
Que eu deveria ter lhe comprado flores e segurado sua mão
Deveria ter te dado as minhas horas quando tive a chance
Ter levado você a todas as festas
Porque tudo o que queria era dançar
Agora minha garota está dançando, mas está dançando
Com outro homem

Meu orgulho, meu ego
Minhas necessidades e meu jeito egoísta
Fizeram uma mulher boa e forte como você
Sair da minha vida
Agora nunca, nunca conseguirei limpar
A bagunça em que me meti
E me assombra sempre que fecho meus olhos
Tudo isso soa como uh, uh, uh, uh, uh

Jovem demais, tolo demais para perceber
Que eu deveria ter lhe comprado flores e segurado sua mão
Deveria ter te dado as minhas horas quando tive a chance
Ter levado você a todas as festas
Porque tudo o que queria era dançar
Agora minha garota está dançando, mas está dançando
Com outro homem

Apesar de doer
Serei o primeiro a dizer que eu estava errado
Oh, sei que provavelmente estou muito atrasado
Para tentar me desculpar pelos meus erros
Mas eu só quero que você saiba
Espero que ele lhe compre flores, que ele segure sua mão
Que lhe dê todas as suas horas quando tiver a chance
Que leve você a todas as festas porque eu me lembro
De quanto você amava dançar
Que faça todas as coisas que eu deveria ter feito
Quando eu era o seu homem

Que faça todas as coisas que eu deveria ter feito
Quando eu era o seu homem


Letra enviada por Felipe

Link: http://www.vagalume.com.br/bruno-mars/when-i-was-your-man-traducao.html#ixzz2jc43ZtFF

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Do lado de cá ~

Tinha a impressão que seu mundo era meio inabitado e ela sentia-se, aqui, estrangeira, com orelhas grandes e cara verde. Disseram a ela que era preciso ver a realidade, porque parecia que em seu coração havia uma espécie de amplificador de sentimentos, e o que era ruim, se tornava pior para ela. Mas ela tinha medo, de fato, já sabia da existência desse amplificador em seu íntimo, ele causava dias insuportáveis, provocados por um impacto que deveria ser razoável. E nesses dias ela queria mesmo se livrar do amplificador, mas as tentativas foram ainda mais dolorosas.

E pegou-se a pensar um certo dia:

- "E quando o meu coração estiver cheio de amor, em uma daquelas manhãs de primavera, que o sol chega com ar de majestade e os galhos que balançam com o tocar do vento parecem anunciadores de uma felicidade simples e pura?  Quando o coração palpita de fé e eu pareço a única a amplificar os gestos singelos da natureza... E quando o impacto da dor está sufocado e eu posso desfrutar dessa sensibilidade inigualável... E quando... ?"

 Então, mergulhada em sua introspecção, a estrangeira de cara verde abraçou seu próprio peito e decidiu se responsabilizar pelas sequelas do seu amplificador, convenceu-se que poderia construir uma armadura, feita de versos e flores que emanam de sua fé, da inocência riscada daquela que consegue ver o sol, alguns dias, como um Rei a acenar. Ela resolveu encaixar esses sentimentos nos poros de uma armadura feita por ela, para proteger-se e preservar sua sensibilidade de reconhecer que a felicidade é simples como um galho que balança com a música do vento.   A.C.D



"A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda .Dizem que se esconde por modéstia.
Não é.
Esconde-se para poder captar o próprio segredo.
Seu quase-não-perfume é glória abafada mas exige da gente que o busque.
Não grita nunca seu perfume.Violeta diz levezas que não se podem dizer." Clarice Lispector.