E pegou-se a pensar um certo dia:
- "E quando o meu coração estiver cheio de amor, em uma daquelas manhãs de primavera, que o sol chega com ar de majestade e os galhos que balançam com o tocar do vento parecem anunciadores de uma felicidade simples e pura? Quando o coração palpita de fé e eu pareço a única a amplificar os gestos singelos da natureza... E quando o impacto da dor está sufocado e eu posso desfrutar dessa sensibilidade inigualável... E quando... ?"
Então, mergulhada em sua introspecção, a estrangeira de cara verde abraçou seu próprio peito e decidiu se responsabilizar pelas sequelas do seu amplificador, convenceu-se que poderia construir uma armadura, feita de versos e flores que emanam de sua fé, da inocência riscada daquela que consegue ver o sol, alguns dias, como um Rei a acenar. Ela resolveu encaixar esses sentimentos nos poros de uma armadura feita por ela, para proteger-se e preservar sua sensibilidade de reconhecer que a felicidade é simples como um galho que balança com a música do vento. A.C.D
"A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda .Dizem que se esconde por modéstia.Não é.Esconde-se para poder captar o próprio segredo.Seu quase-não-perfume é glória abafada mas exige da gente que o busque.Não grita nunca seu perfume.Violeta diz levezas que não se podem dizer." Clarice Lispector.

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